Pace é o tempo que você leva para percorrer um quilômetro. Enquanto a velocidade responde “quantos quilômetros por hora”, o pace responde “quantos minutos por quilômetro” — e é essa a linguagem que corredores usam para planejar treino e prova.
Um pace de 5:30 significa cinco minutos e trinta segundos por quilômetro. Mantido do início ao fim, esse ritmo leva a um 10 km em 55 minutos.
Saber o próprio pace muda a forma de treinar. Sem esse controle, o padrão mais comum é sair rápido demais no começo, pagar o preço na segunda metade e cruzar a linha bem abaixo do que o condicionamento permitiria.
Como o pace se relaciona com a distância
Existe uma armadilha frequente aqui. Se você corre 5 km em 25 minutos, é tentador concluir que faria 10 km em 50 minutos e a maratona em 3h30. Não funciona assim.
Conforme a distância cresce, o ritmo médio cai — porque entram em cena depleção de glicogênio, fadiga neuromuscular, estresse térmico e desgaste acumulado. O corpo não sustenta indefinidamente a intensidade que sustenta por 25 minutos.
Peter Riegel, engenheiro e corredor, quantificou essa perda em 1977. Ele analisou resultados de prova em várias distâncias e descobriu que o decaimento segue um padrão previsível, com expoente de 1,06. Na prática, isso significa que dobrar a distância multiplica o tempo por cerca de 2,08, não por 2.
A diferença parece pequena, mas se acumula. Voltando ao exemplo: aquele corredor de 25 minutos nos 5 km projeta maratona em cerca de 3h59, não em 3h30. Quase meia hora separa a conta correta da conta simples.
Para que serve a tabela de passagem
A calculadora também gera o tempo acumulado esperado em cada quilômetro. Esse recurso resolve um problema prático: durante a prova, é difícil saber se você está adiantado ou atrasado em relação à meta.
Com a tabela em mãos — anotada, impressa ou fotografada no celular —, basta comparar o cronômetro com o valor previsto a cada passagem. Se aos 5 km você está trinta segundos adiantado, sabe que precisa segurar. Se está atrasado, sabe o quanto precisa recuperar.
O que a projeção não considera
Vale saber os limites antes de usar o resultado.
A fórmula assume que você fez o treino específico para a distância pretendida. Ela estima o que o seu condicionamento atual permite, não o que a sua preparação sustenta — e são coisas diferentes. Quem nunca correu além de 15 km não vai realizar uma maratona no tempo projetado, por melhor que seja o seu 5 km.
Também não entram na conta terreno, altimetria, calor, umidade nem vento. Em climas quentes e úmidos, é razoável esperar desempenho abaixo do previsto em provas realizadas fora das primeiras horas da manhã.
Use o resultado como o centro de uma faixa, não como um tempo de chegada.
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Calculadora de pace e tempo de prova
Converte tempo em ritmo e velocidade, projeta desempenho em outras distâncias pela fórmula de Riegel e gera a tabela de passagem por quilômetro.
Informe uma distância e o tempo que você levou. A calculadora devolve seu ritmo atual e projeta o desempenho nas demais distâncias.
— min/km
— km/h
Projeção para outras distâncias
Estimativa pela fórmula de Riegel, publicada em 1977. Ela assume que o ritmo decai de forma previsível conforme a distância aumenta — e que você fez o treino específico para a prova pretendida.
| Prova | Tempo | Ritmo | Confiança |
|---|
Tabela de passagem
Tempo acumulado esperado em cada quilômetro, mantendo ritmo constante. Útil para imprimir ou anotar antes da prova.
Limites da projeção
A precisão cai conforme a distância se afasta da que você correu. De 5 para 10 km, ou de 10 km para meia maratona, a margem costuma ficar entre 3% e 5%. Projetar maratona a partir de uma prova curta é o cenário menos confiável.
Um levantamento com 2.303 corredores recreativos publicado em 2016 encontrou a fórmula bem calibrada até a meia maratona, mas as previsões de maratona saíram ao menos dez minutos otimistas para cerca de metade dos participantes.
A fórmula prevê o que o seu condicionamento permite, não o que a sua preparação sustenta. Quem corre 5 km em 25 minutos mas nunca passou de 15 km não vai fazer maratona no tempo projetado — falta a base aeróbia e a adaptação ao longão, que só o treino específico constrói.
O modelo também não considera terreno, altimetria, calor, umidade ou vento. Em Rio Branco, com temperatura e umidade altas na maior parte do ano, é razoável esperar desempenho abaixo do previsto em provas ao ar livre no meio do dia.
Trate o resultado como o centro de uma faixa, não como um tempo de chegada.
